Coronavírus – Veganos e Vegetarianos: Prevenção e Aumento de Imunidade

Veganos e Vegetarianos têm Maiores Riscos de Deficiência de Ferro que pode causar Anemia.

 

Os hábitos alimentares da população vêm se modificando nos últimos anos, dentre essas a retirada do consumo de carne vermelha da alimentação. No Brasil, segundo os dados do Instituto Ibope que realizou uma pesquisa em 102 municípios entre em abril de 2018, cerca de 30 milhões de pessoas, ou 14% da população, são adeptas, em maior ou menor grau, a uma alimentação que exclui carne do cardápio. O crescimento se deu principalmente nas regiões metropolitanas.

Para evitar deficiências de proteínas e micronutrientes, é importante a orientação de um profissional para que se faça a avaliação da quantidade de ferro, zinco, cálcio e aminoácidos provenientes de fontes vegetais e com isso impedir a carência desses nutrientes tão presentes na carne vermelha.

Praticantes de atividade física veganos podem substituir a carne vermelha por alimentos como a lentilha, grão de bico, feijões em geral são alimentos ricos em proteínas, vitaminas e minerais. Como também pode-se optar por suplementos proteico a base de origem vegetal para suprir a carência de proteína. Com as recomendações adequadas dos macronutrientes o praticante de atividade física não terá dificuldade aumentar ou melhorar a performance muscular. Cabe esse ser acompanhado por um bom profissional.

A vitamina B12 precisará ser suplementada oralmente porque sua oferta se dá apenas por meio de alimentos de origem animal. Caso não seja feito um acompanhamento nutricional, há risco de deficiência deste nutriente.

A deficiência de ferro pode causar anemia e, provocar cansaço, falta de concentração, depressão e baixa imunidade. Além disso, deficiência do complexo B e zinco pode levar a transtornos neurológicos e falta de equilíbrio. Os vegetarianos que retiram o leite também podem sofrer com osteoporose, fragilidade óssea, essas são consequências de quem faz restrição alimentar sem um apoio de um profissional.

Uma das alternativas para quem retira a carne do cardápio e não quer sofrer com deficiência de vitaminas e minerais é investir em vegetais e oleaginosas. Insira na dieta leguminosas, como feijão, lentilha, grão de bioco e ervilha e oleaginosas, como nozes, castanhas, avelã, amêndoa, pistache, esses alimentos são ótimos para repor os nutrientes que deixaram de ser consumidos e evitar uma deficiência nutricional.

 

ALERTAS IMPORTANTES:

 

01 – Baixa absorção do ferro de fontes vegetais.

O ferro de fontes vegetais são menos absorvidos que os de fonte animal, por isso, para aumentar a absorção do ferro dos vegetais é necessário incluir suco de limão e frutas cítricas (ex: laranja, goiaba, tomate) e evitar consumir alimentos ricos em cálcio, café e chás na mesma refeição com ferro, pois eles prejudicam a absorção.

A forma mais rápida e eficaz (simples) de prevenir a anemia e aumentar a hemoglobina é através da suplementação de ferro. A suplementação diária ou semanal são igualmente eficazes para aumentar a hemoglobina a médio prazo (Nogueira Arcanjo FP, 2013), porém a diária é mais rápida para equilibrar o ferro.

 

Qual melhor suplemento de ferro?

Na minha opinião, sem dúvida é o suplemento que proporcione maior absorção do nutriente pelo organismo, e consequentemente maior rapidez na correção do estoque do ferro, como por exemplo o ferro nanoencapsulado, sempre associado a outros micronutrientes (minerais e vitaminas). A nanotecnologia, além de proporcionar maior absorção, não provoca efeitos colaterais (em dosagens de nutrienets dentro do IDR) e não tem gosto ruim, diferente do ferro comum encontrado nas farmácias, que além de não serem tão bem absorvidos, tem sabor ruim e podem provocar efeitos colaterais.

 

02 – Anemia, sistema imunológico e infecções por vírus.

O ferro tem muitas funções importantes no corpo, incluindo a regulação do sistema imunológico e, portanto, a deficiência do ferro pode comprometer a função imunológica e causar impacto tanto na facilidade de contrair (pegar a doença), como na gravidade das infecções, incluindo influenza (Ekiz C, 2005 ; Oppenheimer SJ. 2001).

Crianças com menos de 5 anos de idade têm maior suscetibilidade a se infectar com influenza e correm o risco de doenças mais graves (Cromer D, 2014).

Um estudo americano sobre mortalidade infantil por gripe (vírus influenza) indicou que a maioria das mortes infantis atribuídas à influenza ocorre em menores de 5 anos (Bhat N, 2005)

Deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro em crianças

Crianças com menos de 5 anos de idade têm maior suscetibilidade a se infectar com influenza e correm o risco de doenças mais graves (Cromer D, 2014).

Um estudo americano sobre mortalidade infantil por influenza indicou que a maioria das mortes infantis atribuídas à influenza ocorre em menores de 5 anos (Bhat N, 2005).

Um estudo Australiano de 2016 concluiu que a anemia por deficiência de ferro e a alergia alimentar foram identificados como fatores de risco independentes para doença grave da gripe (vírus influenza) em crianças menores de cinco anos. Além disso, a anemia foi identificada como um fator de risco para insuficiência respiratória em crianças internadas no hospital por pneumonia adquirida na comunidade (Lakhan, N., 2016).

Já um estudo recente publicado em 2020 demonstrou que a composição do sistema imunológico em crianças varia de acordo com a idade, localização geográfica e status de anemia.

 

Deficiência de ferro e anemia por deficiência de ferro em idosos

 

03 – AGROTÓXICOS E PESTICIDAS NOS VEGETAIS

Os chamados defensivos agrícolas são danosos a nossa saúde e estão presentes na maioria dos nossos vegetais e em quantidades perigosas. A alternativa seria o consumo de alimentos orgânicos.

04 – VEGETAIS TRANSGÊNICOS

A utilização de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) tem sido cada vez mais comuns nas lavouras brasileiras, correspondendo a mais de 90% do cultivo de soja, milho (verão e inverno) e algodão no país. Pesquisadores se dividem quanto ao perigo ou a segurança do consumo desses vegetais. O que se sabe é que nossos alimentos hoje são totalmente diferentes do que há mais de 300 anos antes de cristo, época em que Hipócrates, considerado o pai da medicina, disse, “faça do seu alimento o seu remédio”.

 

CONCLUSÃO

O vegetarianismo é uma cultura alimentar cada vez mais utilizada entre os brasileiros, porém os veganos ou os vegetarianos devem tomar alguns cuidados pois podem ter um consumo maior de alimentos transgênicos e uma maior chance de se contaminar por metais pesados tóxicos devido aos defensivos agrícolas, e esses metais podem provocar diversas doenças. Além disso, a deficiência de ferro e vitamina B12, e isso pode levar a anemia, que por sua vez pode levar a alguns problemas de saúde, como a diminuição da resistência as infecções por bactérias e vírus. Tanto o uso de alimentos orgânicos quanto a prevenção de anemia por deficiência de ferro são problemas simples de serem contornados pelos adeptos ao vegetarianismo.

Como vivemos uma pandemia do novo corova vírus, é muito importante que o estoque de idosos e crianças estejam equilibrados, para com isso evitar a anemia e a baixa da imunidade.

 

Referências Bibliográficas

Nogueira Arcanjo FP, Santos PR, Costa Arcanjo CP, Meira Magalhães SM, Madeiro Leite AJ. Daily and Weekly Iron Supplementations are Effective in Increasing Hemoglobin and Reducing Anemia in Infants. J Trop Pediatr. 2013 Jun; 59(3):175-9. Epub 2012 Dec 13.

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